ENSINO SUPERIOR EM MOÇAMBIQUE ENFRENTA DESAFIOS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DOUTORES

A província de Nampula acolheu, na última sexta-feira (17), um debate sobre a qualidade do ensino superior em Moçambique, reunindo docentes de várias instituições de ensino superior, representantes do Governo e da sociedade civil para discutir os desafios e perspectivas do sector.

Durante o encontro, os participantes defenderam a necessidade de reforçar a qualidade do ensino em todos os níveis do sistema educativo, desde o ensino primário até ao ensino superior, bem como a formação contínua dos docentes e a adequação das convenções internacionais à realidade moçambicana.

Na ocasião, o docente José Faquir afirmou que a qualidade do ensino superior depende da solidez da base do sistema educativo. Segundo explicou, o país deve investir na melhoria do ensino primário e secundário para garantir melhores resultados nas universidades.

O académico defendeu igualmente que Moçambique deve aderir às convenções internacionais relacionadas com o ensino superior, desde que estas sejam implementadas tendo em conta o contexto e as necessidades do país.

Por sua vez, Óscar Manalapa, docente da Faculdade Rovuma, considerou importante que Moçambique se integre nos padrões globais de qualidade para tornar as instituições de ensino superior mais competitivas. No entanto, sublinhou que esse processo deve respeitar a realidade social e cultural moçambicana.

Também presente no debate, Mairele Ribeiro, membro da Comissão de Qualidade do Ensino Superior, destacou que a qualidade deve ser uma prioridade para todas as instituições do ensino superior.

Segundo explicou, as convenções internacionais permitem que cada país as adapte ao seu contexto específico.
Ribeiro recordou que, no passado, bastava o grau de licenciatura para um docente leccionar no ensino superior.

Actualmente, a exigência mínima passou a ser o grau de mestre, acrescentando que o grande desafio do país é aumentar o número de docentes com o grau de doutor para responder às exigências de qualidade do ensino superior.

O responsável esclareceu ainda que a adesão às convenções regionais, continentais e globais, incluindo a Convenção de Adis Abeba, segue um processo político que passa pela aprovação da Assembleia da República antes da sua implementação.

Segundo Mairele Ribeiro, o encontro teve como objectivo promover uma reflexão sobre a qualidade do ensino superior em Moçambique, analisando as vantagens e desafios da implementação destas convenções e procurando identificar soluções que contribuam para o fortalecimento do sistema nacional de ensino superior.


Por: Dilma Coelho