
Os residentes do bairro de Muhaivere, na cidade de Nampula, queixam-se da falta de água potável nas torneiras há várias semanas e até meses. A situação obriga os moradores a percorrer longas distâncias à procura do precioso líquido, recorrendo a outros bairros e a poços para garantir as necessidades básicas das famílias.
Numa ronda realizada pelo jornal Hoje em Moçambique, os munícipes relataram dificuldades no acesso à água, situação que compromete actividades domésticas, como cozinhar, lavar a loiça e a roupa, limpar a casa e tomar banho.
Calton João, residente em Muhaivere, afirma que a água não sai das torneiras há cerca de três semanas. Segundo explicou, para conseguir o líquido, desloca-se ao bairro de Mahala Expansão, onde paga 10 meticais por um balde de 20 litros, ou recorre a poços caseiros.
O munícipe manifesta igualmente preocupação com as facturas emitidas pela Águas da Região Norte, que considera elevadas, mesmo quando não há fornecimento de água. “Não faz sentido pagar por uma água que não consumimos, porque não sai das torneiras”, lamentou Calton João, acrescentando que, quando os moradores apresentam reclamações, a empresa atribui a responsabilidade ao Governo.
Outra residente de Muhaivere afirma que está há cerca de um ano sem água na torneira. Para conseguir o precioso líquido, desloca-se ao bairro de Naloco, onde, segundo contou, paga cinco meticais por dois baldes de 10 litros, ou recorre a poços.
A munícipe explica que a situação torna as tarefas domésticas mais difíceis e, por vezes, obriga as famílias a recorrerem a fontes de água cuja qualidade não está garantida. Por isso, apela ao Governo para a instalação de uma fontanária no bairro, de modo a reduzir as longas distâncias percorridas pelos moradores.
Fátima Jaime, também residente em Muhaivere, relata dificuldades semelhantes. Segundo afirmou, está há aproximadamente um ano sem água na torneira da sua residência, situação que a levou a construir um poço no quintal para reduzir a necessidade de procurar água noutros locais.
Outro morador conta que está há cerca de um mês sem abastecimento e que precisa de acordar cedo para procurar água antes de iniciar as actividades diárias. A situação afecta igualmente os estudos, uma vez que, por vezes, chega atrasado à escola por não conseguir encontrar água a tempo.
Perante este cenário, os residentes de Muhaivere apelam às autoridades competentes e à entidade responsável pelo abastecimento de água para que encontrem uma solução duradoura, garantindo o acesso regular à água potável e melhores condições de vida para a população.
Por: Dilma Coelho




























