
A província de Nampula acolheu recentemente um encontro provincial que reuniu mulheres e diversas organizações para discutir os desafios ligados à violência doméstica, uniões prematuras e outras problemáticas que afetam a mulher na sociedade. O evento, promovido pelo sector da acção social, teve como principal objetivo refletir sobre a situação atual e encontrar soluções para reduzir estes fenómenos.
A iniciativa contou com a participação de várias organizações da sociedade civil, incluindo a UNICEF, além de entidades governamentais como a Polícia da República de Moçambique e a Procuradoria. Durante o encontro, os participantes fizeram o balanço das metas não alcançadas e debateram estratégias para melhorar o apoio às vítimas, com uma abordagem mais inclusiva e sem julgamentos.
A diretora da Acção Social, Cidinha Mpila, explicou que o encontro serviu para analisar dados sobre a violência baseada no género. Segundo avançou, foram registados 309 casos de violência, dos quais 220 envolvem mulheres e 89 homens. Apesar da maioria dos casos afetar mulheres, a dirigente destacou o aumento de denúncias envolvendo homens, sublinhando que ainda há subnotificação nestes casos.
De acordo com a responsável, muitas mulheres não denunciam situações de violência por dependência económica dos seus parceiros, o que dificulta o combate ao problema. Para responder a esta realidade, o governo tem intensificado campanhas de sensibilização nas comunidades e reforçado o apoio às vítimas através de programas sociais.
No que diz respeito às uniões prematuras, Cidinha Mpila referiu que a província enfrenta mais de mil casos, dos quais 309 já foram encaminhados ao tribunal. Os distritos da cidade de Nampula, Mecubúri e Murrupula apresentam os índices mais elevados. Ainda assim, acredita que, com o trabalho contínuo de sensibilização junto das comunidades e líderes locais, os números tendem a reduzir, embora reconheça que a mudança de mentalidade continua a ser um grande desafio.
A diretora destacou ainda que os distritos de Nampula, Ilha de Moçambique e Angoche lideram os casos de violência doméstica, incluindo violência física, psicológica e patrimonial. Alertou também para o aumento de casos de agressões dentro do seio familiar, incluindo situações em que filhos agridem as próprias mães, muitas vezes associadas ao consumo de drogas.
Outro ponto de preocupação abordado foi o caso de uma menor que deu à luz no ano passado, evidenciando a gravidade das uniões prematuras e da gravidez precoce. Segundo a dirigente, nestas situações o governo presta assistência psicológica às vítimas e encaminha os casos às instâncias judiciais.
O encontro terminou com um apelo à sociedade para reforçar o compromisso na proteção dos direitos da mulher e da criança, promovendo uma mudança de comportamento que contribua para o fim da violência e das uniões prematuras na província.
Por: Dilma Coelho




























