ENDOMETRIOSE: DOENÇA GRAVE AINDA NEGLIGENCIADA POR MULHERES EM NAMPULA

A endometriose é uma doença grave que continua a ser pouco conhecida e frequentemente negligenciada por muitas mulheres na província de Nampula, alertou o director da maternidade do Hospital Central de Nampula.

De acordo com Dinis Viegas, apesar de ser uma condição comum, a endometriose ainda é pouco debatida, embora nos últimos anos tenha começado a ganhar maior visibilidade devido ao aumento de casos diagnosticados.

A doença afeta mulheres de diferentes idades e manifesta-se, sobretudo, por dores intensas na região pélvica, desconforto no baixo ventre e, em muitos casos, infertilidade. “Muitas pacientes procuram os serviços de saúde já com complicações avançadas, o que dificulta o tratamento”.

Segundo o responsável, a endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio que normalmente reveste o útero cresce fora dele, podendo atingir órgãos como os ovários, trompas, intestinos e até outras partes do corpo. Em situações mais raras, pode espalhar-se por via sanguínea.

Dados do Hospital Central de Nampula indicam que cerca de 30% das mulheres atendidas apresentam sinais da doença. Entre as pacientes com dor pélvica crónica ou que já passaram por vários tratamentos sem sucesso, a probabilidade de diagnóstico de endometriose é ainda maior.

A condição tem impacto não só físico, mas também psicológico, afetando significativamente a qualidade de vida das mulheres. “É uma doença que causa sofrimento prolongado e exige acompanhamento especializado”.

O diagnóstico é feito por médicos especialistas, podendo incluir exames específicos como a videolaparoscopia, que permite observar diretamente a cavidade abdominal e confirmar a presença da doença.

Quanto ao tratamento, Dinis Viegas esclareceu que, em casos menos graves, pode ser controlado com меnstruаção. Já em situações mais avançadas, pode ser necessária intervenção cirúrgica para remoção de quistos e tecidos afetados.

O Hospital Central de Nampula conta atualmente com oito especialistas capacitados para o tratamento da doença, sendo a maioria de nacionalidade moçambicana.

O director destacou ainda que a endometriose pode ter componente hereditária e, embora mais comum em mulheres, há registos raros da doença em homens e crianças.

As autoridades de saúde reforçam a necessidade de maior sensibilização da população, incentivando as mulheres a procurarem assistência médica ao primeiro sinal de sintomas, de forma a garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Por: Dilma Coelho
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