ACTIVISTA SOCIAL ACUSA PRM E SERNIC DE CONHECEREM OS BARÕES DA DROGA EM NAMPULA

O activista social Martins Noronha acusa a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) de conhecerem os principais traficantes de droga que operam na província de Nampula.

Segundo Martins Noronha, o consumo de droga está a destruir a juventude na cidade e em vários distritos da província, situação que, na sua opinião, demonstra falhas graves no trabalho das autoridades responsáveis pela segurança.

O activista afirmou que, se a PRM realizasse um controlo rigoroso nas entradas da província, seria possível reduzir significativamente a circulação de drogas. “A polícia que devia combater a droga acaba, muitas vezes, por trabalhar para interesses próprios”.

Martins Noronha criticou ainda o facto de alguns supostos traficantes serem detidos e posteriormente libertados pouco tempo depois, sem que os respectivos processos avancem para tribunal.

O activista apelou igualmente ao Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga para reforçar campanhas de sensibilização nas escolas, desde o ensino primário até ao ensino superior, alertando para os perigos do consumo de substâncias ilícitas.
Segundo ele, o aumento do consumo de droga está a comprometer o futuro da juventude moçambicana.

Martins Noronha afirmou ainda que muitos consumidores acabam por indicar às autoridades os locais conhecidos como “bocas de fumo”, onde adquirem droga, mas considera que existe falta de vontade para responsabilizar os principais traficantes.

Na sua opinião, alguns membros da PRM e do SERNIC estariam envolvidos em esquemas ligados ao narcotráfico, acusando sectores da polícia de beneficiarem financeiramente do negócio ilegal.

O activista declarou também que existem casos em que famílias de jovens detidos por consumo de droga alegadamente pagam valores monetários para garantir a libertação dos seus familiares.
Segundo Martins Noronha, essa situação contribui para o aumento dos casos de consumo e venda de droga, envolvendo inclusive menores de idade e mulheres.

Apesar das críticas, o activista elogiou a iniciativa do governador da província de Nampula, Eduardo Mariano Abdula, pela implementação da campanha “Tolerância Zero” contra o consumo e venda de droga.

Martins Noronha defendeu que a campanha não deve limitar-se a um período de 90 dias, mas transformar-se numa acção permanente para reduzir o número de “bocas de fumo” e combater o narcotráfico na província. “O caminho deve passar pela detenção, julgamento e condenação dos traficantes”, afirmou.

O activista defendeu igualmente que os consumidores de droga devem receber acompanhamento psicológico e tratamento especializado para evitar recaídas, considerando-os pessoas doentes que necessitam de apoio social e médico.

Martins Noronha apelou ainda aos jovens para abandonarem o consumo de metanfetamina, conhecida popularmente como “makha” ou “sal”, incentivando-os a investir na educação, leitura, agricultura e outras actividades produtivas. “Quando um jovem entra no consumo de droga, perde-se uma parte da juventude e da nação”, concluiu.


Por: Dilma Coelho