SECTOR DA AGRICULTURA APOSTA NA PRODUÇÃO DE ARROZ E CRIAÇÃO DE COELHOS EM NAMPULA

O sector da Agricultura e Pescas na província de Nampula prevê produzir cerca de 13 milhões de toneladas de diversos produtos alimentares ao longo do presente ano agrícola, com destaque para a mandioca, cuja produção deverá atingir 10 milhões de toneladas.

A informação foi avançada por Manuel Chicamise, director provincial da Agricultura e Pescas, que explicou que o sector continua igualmente a incentivar a produção de milho, incluindo nos distritos costeiros, onde esta cultura começou recentemente a ser introduzida.

Segundo o dirigente, a produção de arroz está a registar avanços significativos, sobretudo após a reabertura da fábrica de processamento de arroz em Luazi. O parceiro responsável pela unidade mostrou-se satisfeito com os níveis actuais de produção, embora o sector reconheça a necessidade de aumentar o cultivo para garantir matéria-prima suficiente para o funcionamento sustentável da fábrica.

O sector trabalha também no combate às aflatoxinas na produção de amendoim e milho, estando a obter resultados considerados positivos. Paralelamente, decorre a expansão da produção de batata-doce para distritos costeiros onde esta prática agrícola ainda é reduzida.

Na área pecuária, Manuel Chicamise revelou que a província possui actualmente cerca de 137 mil bovinos. Está em curso uma campanha obrigatória de vacinação do gado, tendo já sido vacinados mil bovinos, enquanto se aguarda o envio de mais doses pelo Ministério da Agricultura e Pescas.

Relativamente à campanha de vacinação contra a raiva, a província dispõe de apenas 15 mil doses, metade das 30 mil necessárias. As cidades serão priorizadas devido ao elevado número de cães. O responsável apelou ainda ao controlo dos animais vadios para garantir maior segurança pública.

Uma das novas apostas do sector é a criação de coelhos, iniciativa que envolve distritos como Ribáuè, Mogovolas, Mecubúri e Meconta, entre outros. A actividade surgiu após um criador local demonstrar interesse em expandir a cunicultura comercial. O sector promoveu capacitações envolvendo produtores de vários distritos, incluindo participantes das províncias de Niassa e Cuamba.

Durante a formação, os produtores receberam quatro machos e duas fêmeas para reprodução. Segundo Manuel Chicamise, o coelho apresenta vantagens por possuir um ciclo de gestação curto, podendo gerar entre sete e oito crias em apenas 30 dias.

Manuel Chicamise, Director Provincial da Agricultura e Pescas

O director incentivou igualmente a criação de aves domésticas, patos e coelhos como complemento à pecuária bovina, defendendo a importância do consumo de proteína animal para uma alimentação equilibrada.

Na área pesqueira, o programa “Peixe Sustentável” beneficiou 480 mulheres com kits compostos por motores, redes de pesca, arpões, congeladores, caixas térmicas e embarcações. Os apoios foram distribuídos em distritos costeiros como Liúpo, Moma, Nacala, Mossuril, Memba, Ilha de Moçambique e Mogincual.

O responsável explicou que o programa visa empoderar economicamente as mulheres ligadas ao sector pesqueiro, permitindo melhorar a capacidade de captura e processamento do pescado.

No âmbito da mecanização agrária, o sector distribuiu tractores para vários distritos, incluindo Ribáuè, Malema, Meconta, Nacarôa e Liúpo. O programa prevê a preparação de dois hectares por família para produção alimentar e culturas de rendimento.

Manuel Chicamise destacou ainda que a província dispõe de cerca de 34 mil hectares com potencial para produção de arroz. Caso sejam alcançadas produtividades entre sete e oito toneladas por hectare, Nampula poderá produzir cerca de 300 mil toneladas de arroz.

O sector está também a analisar o projecto “Hortas que Transformam”, que pretende apoiar jovens produtores com equipamentos e insumos agrícolas para o cultivo de hortícolas em todos os distritos da província.

O director provincial apelou à população para aderir às campanhas de vacinação animal, recordando que o lançamento provincial da campanha decorreu no dia 29 de Maio.


Por: Dilma Coelho