MULHERES JORNALISTAS DENUNCIAM ASSÉDIO SEXUAL E VIOLÊNCIA DE GÉNERO NAS REDAÇÕES EM NAMPULA

Na última sexta-feira, a cidade de Nampula acolheu um debate que reuniu mulheres da comunicação social para discutir o assédio sexual e a violência baseada no género nas redações uma realidade considerada frequente, mas ainda pouco denunciada.

Durante o encontro, várias profissionais partilharam experiências pessoais, revelando que o problema persiste em diferentes níveis dentro das instituições de comunicação. Muitas relataram ter sido vítimas de comportamentos abusivos por parte de superiores hierárquicos, colegas e até fontes de informação.

A jornalista Nelsa Momade, do jornal Ikweli, contou que foi alvo de assédio por parte de um chefe de redação. Segundo explicou, tudo começou com comentários aparentemente inofensivos, que evoluíram para situações desconfortáveis e persistentes.
“Começou com elogios simples, mas depois tornou-se um pesadelo”, afirmou. A profissional disse ainda que deixou de se sentir segura no ambiente de trabalho, tendo posteriormente denunciado o caso à direção, que tomou medidas disciplinares.

Outro testemunho foi apresentado por Zaida Alcino, jornalista de uma rádio comunitária em Rapale. Segundo relatou, após recusar retomar uma relação amorosa com o proprietário da rádio, seu ex-namorado, foi suspensa das suas funções, mesmo após dois anos de trabalho.

As participantes sublinharam que estes casos não são isolados e refletem um padrão de assédio e discriminação enfrentado por muitas mulheres na área da comunicação social. Além do assédio sexual, também foram destacadas situações de exclusão profissional, como a não participação em coberturas importantes e viagens de trabalho, sob alegação de incapacidade.

O debate evidenciou ainda a desigualdade de género nas redações, onde o número de homens continua a ser superior ao de mulheres. Segundo as participantes, essa disparidade contribui para a perpetuação de estereótipos e práticas discriminatórias, incluindo o uso de linguagem pejorativa e a desvalorização do trabalho feminino.

As mulheres apelaram à criação de ambientes de trabalho mais seguros, à implementação de mecanismos de denúncia eficazes e à responsabilização dos infratores, de modo a promover uma comunicação social mais justa, ética e inclusiva.


Por: Dilma Coelho