AUTORIDADES DE SAÚDE ALERTAM PARA AUMENTO DE CASOS DE CÓLERA NA ILHA DE MOÇAMBIQUE

As autoridades de saúde na província de Nampula manifestam preocupação com o aumento de casos de cólera no distrito da Ilha de Moçambique, onde, nas últimas 24 horas, nove pessoas deram entrada nas unidades sanitárias, muitas em estado grave.

A informação foi avançada por Jaime Miguel, chefe do Departamento de Saúde Pública na Direcção Provincial de Saúde, que destacou que, apesar de alguns distritos apresentarem melhorias, a situação na Ilha de Moçambique continua preocupante.

Segundo o responsável, actualmente sete distritos estão livres do surto de cólera, incluindo Memba, Erati e Mogovolas. No entanto, outros distritos como Monapo, Mogincual, Nacala Porto, Nacala Velha e Mossuril continuam sob vigilância.

O distrito de Monapo, que anteriormente registava cerca de 15 casos por dia, apresenta agora uma redução significativa, com uma média de um a dois casos diários. Ainda assim, as autoridades mantêm o alerta devido à evolução recente da doença na Ilha de Moçambique, que nos últimos três anos não registava casos.

Desde o início do surto na província, já foram contabilizados 3.721 casos cumulativos e 39 óbitos, dos quais 30 ocorreram nas comunidades e nove em unidades sanitárias.

Para conter a propagação da doença, o sector da saúde tem intensificado campanhas de vacinação oral contra a cólera. De acordo com Jaime Miguel, a primeira ronda enfrentou dificuldades devido ao período do Ramadão, obrigando as equipas a trabalharem em horários nocturnos e em locais de grande concentração populacional, como mesquitas, mercados e escolas.
Na segunda ronda, os resultados foram mais positivos, com uma cobertura superior a 90% da meta prevista.

O responsável alertou ainda para o impacto da desinformação, particularmente na cidade de Nampula, onde algumas comunidades associam erroneamente o sector da saúde a interesses políticos, o que dificulta o trabalho das equipas no terreno.

Em Monapo, dois centros de saúde encontram-se encerrados devido a distúrbios causados por um grupo de pessoas influenciadas por informações falsas.

As autoridades reforçam a necessidade de sensibilização comunitária e esclarecem que a declaração de um distrito como livre de cólera implica monitoria contínua durante pelo menos 30 dias, não significando o fim definitivo do risco.


Por: Dilma Coelho