PROFESSORES LIDERAM PROCURA POR SERVIÇOS DE OTORRINO E TERAPIA DA FALA EM NAMPULA

Professores são os que mais recorrem aos serviços de otorrinolaringologia e terapia da fala no Hospital Central de Nampula, devido a problemas de voz associados ao uso intensivo deste instrumento no exercício da profissão.

A informação foi avançada pelo terapeuta da fala Ilídio Nhancale, que também é responsável provincial da área no Serviço Provincial de Saúde. Segundo o especialista, mensalmente são atendidos cerca de 10 ou mais professores com queixas relacionadas à voz.

Ilídio Nhancale explicou que entre os principais problemas está a disfonia, uma alteração vocal que pode ter causas psicológicas, orgânicas ou até estar associada a problemas gástricos, como o refluxo ácido, que afecta a laringe e provoca desconforto.

O especialista alertou ainda para práticas prejudiciais, como a automedicação com água salgada ou gengibre, que podem agravar o estado das cordas vocais. Acrescentou que muitos pacientes procuram os serviços de saúde em estágios avançados, o que, em alguns casos, pode exigir intervenção cirúrgica e até resultar na perda da voz.

Além dos professores, outros profissionais que utilizam intensivamente a voz, como jornalistas, cobradores e comunicadores, também devem redobrar os cuidados.

Entre as recomendações deixadas, destacam-se evitar falar em ambientes ruidosos, não gritar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e café, bem como evitar exposição prolongada ao ar condicionado.

O terapeuta mencionou ainda que pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) também recorrem aos serviços, sendo fundamental a assistência precoce para evitar complicações graves.

Por outro lado, partilhou o caso de um paciente com bócio, associado ao consumo excessivo de sal, que ficou com sequelas permanentes.

Ilídio Nhancale apelou aos professores para adoptarem medidas preventivas, como o consumo de leite fresco após aulas, especialmente devido ao pó do giz, e a procurarem assistência médica sempre que surgirem sinais de desconforto vocal.

O especialista observou ainda que há maior procura por parte de mulheres, sobretudo professoras, embora não haja uma explicação científica conclusiva para este facto.

A propósito do Dia Mundial da Voz, assinalado anualmente a 16 de Abril, o terapeuta reforçou a importância de cuidar da voz, sublinhando que “a voz influencia directamente a qualidade de vida”.


Por: Dilma Coelho