MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA ASSINALA DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS EM NAMPULA

O director do Museu Nacional de Etnologia, Adriano Tépulo, afirmou que o tema escolhido para a celebração do Dia Internacional dos Museus, assinalado a 18 de Maio, “Museus unindo um mundo dividido”, representa uma proposta importante para reforçar o papel dos museus na promoção da união e preservação cultural.

Segundo Adriano Tépulo, para assinalar a data foram programadas diversas actividades, incluindo visitas guiadas de estudantes e palestras em escolas da cidade de Nampula.
O responsável explicou que, durante duas semanas, o museu enviou convites a várias escolas, sobretudo direccionados às crianças, que têm realizado visitas ao espaço cultural.

Contudo, as palestras previstas nas escolas não puderam acontecer devido ao calendário escolar deste ano, uma vez que muitos alunos encontravam-se em período de avaliações.
Adriano Tépulo avançou que as palestras deverão ser retomadas após o regresso às aulas, depois das férias escolares.

O director revelou ainda que estava igualmente prevista uma exposição sobre a história do desenvolvimento da Electricidade de Moçambique (EDM), organizada em coordenação com o Museu Nacional de Etnologia. A actividade estava marcada para o dia 18 de Maio, mas foi adiada para quarta-feira devido ao atraso na chegada do material necessário para a montagem da exposição.

Durante a entrevista, Adriano Tépulo apontou vários desafios enfrentados pela instituição, com destaque para a falta de transporte e financiamento.

Segundo o director, o museu deveria realizar mais actividades junto das comunidades, levando exposições e acções culturais para diferentes bairros e distritos da província. No entanto, a falta de meios impede a realização dessas deslocações.
“O museu precisa aproximar-se das comunidades, mas a falta de transporte limita o nosso trabalho”, afirmou.

O Museu Nacional de Etnologia possui diferentes áreas de exposição, incluindo painéis sobre instrumentos musicais tradicionais, agricultura, danças tradicionais, rituais e jogos culturais.

Segundo o director, as salas de exposição estão organizadas de forma cronológica, retratando o desenvolvimento histórico do país desde as comunidades primitivas até aos dias actuais.

Entre os principais visitantes do museu estão alunos do ensino primário, secundário e superior. Algumas instituições de ensino superior, como a Universidade Rovuma, a Universidade Lúrio e o Instituto Industrial 3 de Fevereiro, enviam estudantes para estágios no museu.

Adriano Tépulo explicou ainda que muitas pessoas não visitam o museu porque os objectos expostos são estáticos, ao contrário das actividades realizadas nas comunidades, onde existe maior interacção com o público.

De Janeiro até Maio de 2026, o Museu Nacional de Etnologia recebeu cerca de 400 visitantes, número inferior ao registado no mesmo período do ano passado. Segundo o director, a redução está relacionada com as alterações do calendário escolar, que provocaram uma diminuição das visitas de estudantes.

Apesar disso, o responsável acredita que até ao final do ano o museu poderá alcançar ou ultrapassar os números do ano passado, sobretudo porque a instituição celebra 70 anos de existência no próximo dia 23 de Agosto de 2026.

O director destacou ainda o trabalho de conservação realizado no museu, lembrando que muitos dos objectos expostos datam da década de 1950.

Segundo explicou, a preservação do acervo exige limpeza constante, vigilância permanente e controlo rigoroso de insectos que possam danificar os objectos históricos.
Adriano Tépulo revelou que, sempre que é identificado algum insecto nos objectos, os técnicos retiram imediatamente a peça afectada e colocam-na em congelamento para eliminar os agentes que possam comprometer a conservação do património.


Por: Dilma Coelho