
Um espaço pertencente ao aeroporto da cidade de Nampula, anteriormente utilizado pela Escola Primária e Secundária de Nimwemwe, encontra-se atualmente abandonado, vandalizado e transformado em depósito de lixo, situação que preocupa moradores do bairro e autoridades comunitárias.
O chefe da Unidade Comunal Eduardo Mondlane, Veloso Paulo Tomás, explicou que a escola não foi retirada definitivamente do bairro, mas apenas transferida para outro local, uma vez que o recinto onde funcionava pertence ao aeroporto.
Segundo o responsável, a direção da escola mantinha um contrato com o aeroporto e pagava uma taxa pelo uso do espaço. No entanto, o acordo terminou no ano passado. Apesar de as matrículas terem sido realizadas no recinto, os alunos acabaram transferidos para novas instalações no início do presente ano letivo, deixando o espaço desocupado.
Com o abandono do local, começaram a surgir casos de vandalização. De acordo com Veloso Tomás, desconhecidos retiraram ferros da vedação, destruíram parte da infraestrutura e partiram vidros do edifício. Além disso, algumas chapas foram cortadas, agravando o estado de degradação do recinto.
Perante a situação, a comunidade submeteu um pedido ao aeroporto para transformar o espaço em posto da polícia comunitária. O pedido foi aceite e o local cedido temporariamente, sem cobrança de renda.
Entretanto, Veloso Tomás revelou que o aeroporto comunicou posteriormente que parte do espaço será arrendada para o funcionamento de uma escolinha. Segundo explicou, o edifício possui duas entradas, permitindo que o posto policial comunitário funcione numa área e a futura escolinha noutra.
Moradores do bairro afirmam que o abandono do recinto contribuiu para o aumento da criminalidade. O jovem Edimilson Jorge Pedro, residente no bairro da Memória, disse que o local passou a servir de esconderijo para malfeitores e também de depósito de lixo. “O Governo deve intervir urgentemente porque os jovens que vandalizam este espaço são do próprio bairro”.
Outra residente, Esmenia Bernardo, contou que, enquanto a escola funcionava no local, muitos alunos compravam produtos na sua banca, contribuindo para o rendimento familiar. Contudo, desde a transferência da instituição, a situação mudou. “Agora os ladrões escondem-se dentro das salas abandonadas. Já não há portas nem ferros porque tudo foi destruído”.
Outros moradores da zona periférica do posto administrativo de Namicopo partilham da mesma preocupação e denunciam ainda que o quintal da antiga escola foi transformado em via de acesso para taxistas.
Veloso Tomás explicou também que o posto comunitário anteriormente funcionava fora do recinto escolar, mas foi vandalizado durante as manifestações pós-eleitorais. Ainda assim, garantiu que a polícia comunitária continua ativa no bairro.
Acrescentou que a comunidade procura um espaço definitivo para construir um posto policial comunitário. Caso o aeroporto aceite ceder terreno futuramente, a infraestrutura poderá ser construída no local.
Sobre a segurança no bairro, Veloso Tomás afirmou que os casos de consumo de droga reduziram significativamente após o lançamento da campanha “Tolerância Zero ao Consumo e Venda de Droga na Província de Nampula”. Segundo ele, anteriormente era comum encontrar jovens a consumir drogas no recinto abandonado, situação que atualmente diminuiu.
Os crimes mais frequentes registados na área são agressões físicas, violência psicológica e roubo de ferro. A polícia comunitária trabalha em coordenação com a Polícia da República de Moçambique (PRM), segundo o chefe da Unidade Comunal Eduardo Mondlane.
Apesar de ainda não existir uma data definida para o início das actividades da futura escolinha, já decorrem trabalhos de limpeza e remoção de lixo no recinto, enquanto o posto comunitário já começou a funcionar no local.
Por: Dilma Coelho


























