HOSPITAL CENTRAL DE NAMPULA REGISTA AUMENTO DE CASOS DE AVC

O Hospital Central de Nampula (HCN) regista um aumento dos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), associado, entre outros factores, à hipertensão arterial, situação que preocupa os profissionais de saúde devido ao risco de morte e de sequelas graves para os pacientes.

O médico neurologista do HCN, Frederico Sebastião, alerta para a necessidade de reconhecer os sinais de AVC e encaminhar imediatamente os pacientes às unidades sanitárias, uma vez que a rapidez no início do tratamento aumenta as possibilidades de recuperação e reduz o risco de complicações.

Segundo o especialista, entre os principais sinais de alerta estão a alteração da fala, a perda de força num dos membros, como o braço ou a perna, e as dificuldades em falar. Perante estes sintomas, a população deve procurar assistência médica de emergência, sem recorrer à automedicação ou atrasar o tratamento.

Frederico Sebastião explica que, em comparação com 2023, o AVC passou a ocupar uma posição mais preocupante entre as causas de morte. Segundo o médico, a doença, que anteriormente figurava como a quinta causa de mortalidade, ocupa actualmente a segunda posição, depois da malária.

Os dados apresentados pelo neurologista indicam que, no período de nove meses considerado em 2025, o Hospital Central de Nampula registou 291 casos de AVC e 48 óbitos. Nos primeiros nove meses de 2026, a unidade sanitária contabilizou 378 casos e 38 mortes.

Os números representam um aumento de 87 casos, embora se observe uma redução de 48 para 38 óbitos no período comparado. Para responder à situação, o hospital tem desenvolvido um trabalho com uma equipa médica multissectorial, com o objectivo de reduzir a mortalidade associada ao AVC. Entretanto, a capacidade de resposta continua condicionada pela insuficiência de profissionais especializados.

Actualmente, o Hospital Central de Nampula dispõe de apenas um médico neurologista e 15 médicos clínicos gerais para atender à procura nesta área. Face a este cenário, a instituição tem promovido acções de capacitação para reforçar os conhecimentos dos profissionais de saúde no diagnóstico e tratamento dos casos de AVC.

O especialista destaca ainda a importância da prevenção das doenças não transmissíveis, particularmente a hipertensão arterial e a diabetes, bem como do controlo do tabagismo e da obesidade, factores que podem contribuir para o risco de AVC.

Frederico Sebastião recomenda às pessoas com hipertensão arterial ou diabetes que façam o acompanhamento médico regular, controlem os níveis de pressão arterial e de glicemia e cumpram a medicação prescrita.

O médico alerta igualmente para os possíveis riscos associados ao consumo de drogas e de estimulantes sexuais, defendendo que qualquer suspeita de AVC deve ser tratada com urgência numa unidade sanitária, devido à gravidade da doença.

O neurologista apela, por isso, à população para que não recorra à medicina tradicional como substituto do atendimento hospitalar perante sinais de AVC, uma vez que o atraso na assistência médica pode comprometer a recuperação e colocar a vida do paciente em perigo.


Por: Dilma Coelho