ACTIVISTA ACUSA COMANDANTE DA 2ª ESQUADRA DE NAMPULA DE TORTURA E CORRUPÇÃO CONTRA DETIDOS

O activista social Gamito dos Santos, presidente da associação Kuchocoro, acusou o comandante da 2ª esquadra da cidade de Nampula de alegadas práticas de tortura e cobrança ilegal de valores a detidos, tendo já submetido queixa junto da Procuradoria Provincial.

Segundo Gamito dos Santos, o comandante da 2ª esquadra terá instaurado um alegado sistema de tortura contra detidos com o objectivo de obter confissões. Entre os actos denunciados estão espancamentos, uso de chambocos, privação de alimentação e impedimento de entrega de comida por familiares.

O activista afirmou ainda que situações semelhantes estariam a ocorrer também na 1ª esquadra da cidade de Nampula e num posto policial no distrito de Malema, alegando possuir testemunhos e documentos que comprovam os casos.

De acordo com Gamito dos Santos, quatro jovens residentes no bairro dos Belenenses terão sido detidos e torturados para confessarem crimes, tendo sido alegadamente exigidos valores entre 7 mil e 80 mil meticais para a sua libertação. O activista considera que tais práticas configuram corrupção e violação dos direitos humanos.

O presidente da associação Kuchocoro disse ainda ter conhecimento de casos de jovens baleados durante interrogatórios, incluindo um ocorrido no distrito de Malema, onde quatro indivíduos teriam sido feridos para supostamente confessarem crimes.

Gamito dos Santos sublinhou que, independentemente de suspeitas, cabe aos tribunais determinar a culpa ou inocência dos detidos, e não às autoridades policiais recorrer a violência. Por essa razão, afirmou que a organização apresentou queixa formal à Procuradoria Provincial, solicitando investigação e responsabilização dos envolvidos.

O activista declarou possuir provas documentais, incluindo exames médicos, fotografias e vídeos, que teriam sido entregues às autoridades competentes.

Até ao momento, não houve reacção pública da Polícia da República de Moçambique às acusações.
Gamito dos Santos garantiu que a associação continuará a acompanhar o caso e poderá prestar assistência jurídica às vítimas, caso seja necessário.


Por: Dilma Coelho