EMPREITEIROS DENUNCIAM DÍVIDA DE 300 MIL METICAIS DO GOVERNO DE NAMPULA

Empreiteiros da província de Nampula denunciaram uma dívida acumulada de cerca de 300 mil meticais por parte do governo provincial, resultante de obras públicas realizadas nos últimos dois a três anos.

A denúncia foi feita por Mário Albano, à margem de um encontro com o governo provincial, realizado na cidade de Nampula, onde participaram representantes de vários sectores ligados às obras públicas.

Segundo o responsável, grande parte da dívida está associada a projectos de reabilitação de estradas, sendo que, só neste sector, o governo deverá cerca de 183 mil meticais. Albano alertou que a situação está a afectar gravemente o funcionamento das empresas de construção civil na província. “Muitas empresas estão a encerrar actividades, enquanto outras enfrentam dificuldades para pagar salários aos seus trabalhadores”.

O presidente da Ordem dos Empreiteiros referiu ainda que existem casos de irregularidades documentais envolvendo pelo menos cinco empresas recentemente identificadas, o que também preocupa o sector.

Outro problema apontado prende-se com a recorrente participação das mesmas empresas em concursos públicos, situação que, segundo Albano, levanta questões sobre a qualidade das obras executadas.

Por sua vez, explicou que a falta de pagamentos condiciona a capacidade financeira das empresas, resultando em obras inacabadas ou de baixa qualidade.
“Sem recursos, as empresas não conseguem executar correctamente os projectos, o que acaba por se reflectir no estado das estradas, tanto asfaltadas como de terra batida”, disse.

Durante o encontro, o governo da província reconheceu a existência da dívida, mas não avançou prazos concretos para a sua liquidação, facto que gerou insatisfação entre os empreiteiros.

A Associação dos Empreiteiros de Nampula afirma que a relação com o governo provincial está fragilizada, acusando as autoridades de incumprimento dos acordos estabelecidos.
Os empreiteiros queixam-se ainda de serem obrigados a continuar a executar obras, mesmo sem receber pagamentos, acumulando prejuízos em projectos ligados aos sectores de estradas e educação.

No encontro estiveram presentes representantes da Administração Nacional de Estradas (ANE), bem como dos sectores da educação e das finanças, numa tentativa de encontrar soluções para o impasse.


Por: Dilma Coelho