
A maternidade do Hospital Central de Nampula registou uma redução de 30% nos casos de mortalidade materna, resultado da melhoria no atendimento e nas condições de assistência às mulheres grávidas.
Segundo o director da maternidade, Dinis Viegas, a diminuição está associada à qualidade dos serviços prestados, incluindo melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde e maior eficiência no atendimento às parturientes.
Apesar deste avanço, o responsável manifestou preocupação com o aumento de casos de ruptura uterina, considerada uma das situações mais graves na obstetrícia. No último ano, foram registados 153 casos, contra 92 no período anterior.
A ruptura uterina ocorre quando há rompimento da parede do útero durante o parto, colocando em risco a vida da mãe e do bebé, sobretudo devido à perda excessiva de sangue. Entre as principais causas estão as longas distâncias percorridas pelas grávidas até às unidades sanitárias e os casos de gravidez precoce.
Os distritos de Murrupula e Mogovolas são apontados como os que apresentam maior número de ocorrências. Segundo Dinis Viegas, a expansão de unidades sanitárias nestas regiões poderia contribuir significativamente para a redução destes casos.
O director sublinhou ainda que situações de ruptura uterina exigem atendimento de emergência em até 30 minutos, caso contrário, tanto a mãe como o bebé correm risco de morte.
Após a recente reabilitação da maternidade, a unidade passou a receber, em média, cerca de 50 mulheres por dia, realizando aproximadamente 30 partos diários. No entanto, o responsável alertou que a unidade central está a receber muitos casos que deveriam ser atendidos nos centros de saúde periféricos. “Os partos normais devem ser realizados nas unidades sanitárias das comunidades. O hospital central deve concentrar-se em casos complexos”.
A procura excessiva pelo hospital central está relacionada, segundo o director, com a falta de confiança de algumas utentes nos serviços locais. Por isso, apelou à melhoria do atendimento nas unidades de saúde dos bairros para reduzir a pressão sobre o hospital central.
A maternidade do Hospital Central de Nampula foi recentemente reabilitada, passando a contar com salas climatizadas, melhores condições de internamento e aumento do número de casas de banho para as pacientes. As obras ainda decorrem, com destaque para a requalificação dos serviços de ginecologia e espaços administrativos.
Sobre possíveis cobranças ilícitas, o director garantiu que não há registo de denúncias formais. A unidade dispõe de mecanismos de reclamação, incluindo caixas de sugestões e contactos do gabinete de combate à corrupção, mas até ao momento não foram reportados casos.
As autoridades de saúde reiteram o compromisso de continuar a melhorar os serviços materno-infantis, visando reduzir ainda mais os índices de mortalidade na província.
Por: Dilma Coelho




























