
O vice-comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Aquilasse Kanpangula, afirmou que os órgãos de comunicação social têm conhecimento sobre a proveniência da droga que circula na província de Nampula, uma vez que reportam com frequência casos de apreensão de substâncias ilícitas.
As declarações foram feitas no âmbito de uma visita de trabalho à província, durante a qual a corporação realizou operações de combate ao tráfico e consumo de drogas, que culminaram com a detenção de 52 indivíduos. Entre os detidos, constam cidadãos nacionais e estrangeiros, incluindo um de nacionalidade congolesa, além de casos registados no distrito de Malema.
Segundo Kanpangula, a polícia tem vindo a intensificar ações de desmantelamento de “bocas de fumo” e garante que continuará a trabalhar para travar a circulação de drogas em Nampula.
Relativamente às acusações de suborno envolvendo o comandante da segunda esquadra, o dirigente afirmou que o comando-geral ainda não recebeu qualquer processo formal. No entanto, assegurou que será realizada uma averiguação para apurar os factos, prometendo que a instituição irá pronunciar-se assim que houver conclusões.
Durante a sua intervenção, o vice-comandante destacou ainda o reconhecimento da população do posto administrativo de Muhala, que elogiou o trabalho desenvolvido pelas autoridades policiais locais no combate à criminalidade, com destaque para o desmantelamento de grupos conhecidos como “homens catanas”, responsáveis por atos de violência em alguns bairros.
Sobre os alegados ataques a jornalistas naquela região, Kanpangula considerou que houve contraditório e reiterou a importância da colaboração entre a polícia e a comunicação social, sublinhando que os órgãos de informação são parceiros credíveis na divulgação das ações das autoridades.
Entretanto, no comando provincial da PRM em Nampula, foram apresentados os 52 detidos, incluindo mulheres, acusados de envolvimento no consumo e comercialização de drogas. Entre os casos, destaca-se o de uma mulher que afirma consumir heroína há mais de duas décadas, alegando ter iniciado o vício devido a problemas conjugais. Segundo o seu relato, já tentou abandonar o consumo, inclusive com internamentos em unidades de saúde, sem sucesso.
Outro caso envolve uma mulher com seis filhos, que admite vender suruma como forma de sustento familiar após a morte do marido. Ainda entre os detidos está uma jovem de 19 anos, encontrada na posse de droga na residência do pai, que, segundo declarou, seria o verdadeiro proprietário da substância.
Nas operações realizadas, a polícia apreendeu diversas quantidades de drogas, incluindo suruma e metanfetamina, bem como uma arma de fogo, telemóveis e valores monetários.
A PRM reforça o apelo à sociedade para colaborar na denúncia de atividades ilícitas, como forma de fortalecer o combate ao crime organizado na província.
Por: Dilma Coelho




























