
O sector da Educação na província de Nampula reintegrou cerca de 30 mil alunos da 1.ª à 3.ª classe que haviam abandonado a escola nos últimos três anos, como resultado das medidas implementadas para combater a desistência escolar, sobretudo nas zonas mais afetadas pela instabilidade e pelos movimentos migratórios das famílias.
A informação foi avançada pelo porta-voz da Direção Provincial de Educação, Faruk Carim, que manifestou preocupação com o elevado número de crianças que abandonam a escola nos primeiros anos de ensino. Segundo explicou, os distritos de Eráti, Mogovolas e Murrupula registam os maiores índices de desistência entre crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 8 anos.
De acordo com o responsável, uma das principais causas do abandono escolar são os movimentos migratórios das famílias, com destaque para o distrito de Eráti, onde a situação de instabilidade obrigou muitas famílias a deslocarem-se para outras regiões.
Para inverter este cenário, o sector da Educação, em coordenação com os sectores da Acção Social e parceiros de cooperação, implementou mecanismos de acompanhamento das crianças deslocadas. O processo consiste na localização do processo escolar do aluno na escola de origem, permitindo a sua transferência e reintegração imediata na escola de acolhimento.

Faruk Carim reconheceu que o número de crianças que abandonaram a escola é preocupante. Contudo, salientou que, comparativamente ao ano passado, o número de novos ingressos aumentou significativamente, demonstrando que muitas crianças anteriormente fora do sistema de ensino voltaram às salas de aula.
O responsável referiu ainda que o sector continua igualmente preocupado com os elevados índices de uniões prematuras, fenómeno que contribui para o abandono escolar de muitas raparigas no ensino secundário. Para reduzir esta prática, têm sido realizadas campanhas de sensibilização junto das comunidades, apelando aos pais e encarregados de educação para que não promovam casamentos precoces.
Relativamente às gravidezes precoces, Faruk Carim afirmou que o problema está associado, em grande medida, ao contexto social e familiar em que vivem muitas adolescentes, defendendo um maior envolvimento das famílias na educação e acompanhamento dos filhos.
O porta-voz acrescentou que as crianças provenientes dos distritos de Eráti e Memba, deslocadas devido aos ataques terroristas, já foram integradas nas escolas das zonas de acolhimento, garantindo assim a continuidade do seu percurso escolar.
O sector da Educação reafirma o compromisso de continuar a trabalhar para assegurar que todas as crianças tenham acesso e permanência na escola, contribuindo para a redução do abandono escolar e para a melhoria da qualidade do ensino na província de Nampula.
Por: Dilma Coelho



























