FÓRUM PROVINCIAL REFORÇA COMBATE ÀS UNIÕES PREMATUROS EM NAMPULA

A problemática das uniões prematuros continua a preocupar a província de Nampula. A questão foi debatida num fórum provincial que reuniu líderes comunitários dos distritos de Angoche, Rapale, Monapo e da cidade de Nampula.

Clara Ferrão, representante do Fundo de Desenvolvimento Comunitário (FDC), disse que as uniões prematuras constituem um problema grave na província e que, em algumas comunidades, esta prática está a ser normalizada, apesar de ser considerada crime.

Segundo Clara Ferrão, as uniões prematuras contribuem para o abandono escolar, ocorrência de fístulas obstétricas durante os partos e exposição das crianças à violência. Dados apresentados pelo FDC indicam que, em 2024, foram retiradas 83 crianças de uniões prematuras, enquanto em 2025 foram 73. Apesar da redução, a organização considera que os números continuam preocupantes.

A representante do FDC apontou a pobreza, os ritos de iniciação e a falta de condições como alguns dos factores que levam as meninas a serem obrigadas a casar-se cedo. Defendeu, por isso, o envolvimento de todos os actores da sociedade no combate a este fenómeno.

Por sua vez, Luís Augusto, secretário permanente, afirmou que as uniões prematuras “roubam o futuro das crianças”, defendendo que o lugar da criança é na escola e não no lar.

O secretário permanente acrescentou que os líderes comunitários dos distritos de Angoche, Rapale e Monapo receberam instrumentos para levar as mensagens de sensibilização às suas comunidades. Sublinhou ainda que os casamentos prematuros são crime e que todos aqueles que praticam ou promovem esta prática devem ser responsabilizados nos termos da lei.

Márcia Armando João, representante da Plataforma de Adolescentes e Jovens, disse que as uniões prematuras destroem vidas e sonhos de muitas raparigas. Defendeu que as meninas não devem casar antes dos 18 anos e apelou às comunidades para travarem esta prática, reforçando que o lugar da criança é na escola.

O fórum provincial teve como objectivo capacitar os líderes comunitários para reforçarem as acções de sensibilização e prevenção dos casamentos prematuros nas suas comunidades, promovendo a protecção das crianças e a sua permanência na escola.


Por: Dilma Coelho