
Os moradores do povoado de Mandambuzi, na localidade de Ngôo, distrito do Lago, província do Niassa, enfrentam sérias dificuldades de mobilidade devido ao mau estado da estrada que liga o povoado à sede distrital. Segundo os residentes, a viagem pode levar até dois dias, com trechos completamente intransitáveis por causa de buracos, lama e zonas alagadas.
“Se neste ano chovesse como nos anteriores, não haveria circulação de pessoas nem de bens”, afirmam os habitantes, que responsabilizam os camiões de grande tonelagem como transportes de carga e escavadoras pela destruição da via.
Segundo o régulo Búzi, aproximadamente 70 máquinas pesadas passaram pela estrada em direção a Lupilichi, agravando a degradação do percurso. “Se não fosse por essas máquinas, minimamente a estrada estaria boa”, declarou.
Na última sexta-feira, a situação piorou quando vários veículos pesados ficaram atolados. Um carro de transporte de passageiros vindo de Metangula ficou retido antes de alcançar Mandambuzi, enquanto outro, vindo de Cóbuè, não conseguiu ultrapassar um trecho crítico. Até sábado, ambos os veículos ainda estavam presos, segundo a liderança local.
A precariedade da estrada afecta não apenas Mandambuzi, mas coloca em situação de isolamento o próprio posto administrativo de Cóbuè, conhecido por possuir vastos recursos minerais. Apesar da presença de empresas que operam na exploração desses recursos e introduzem maquinaria na região, o problema das estradas continua sem solução. Actualmente, a única forma segura de ligação com a sede do posto administrativo de Cóbuè é por via fluvial, através de barcos. No entanto, nem todos os povoados e localidades deste posto administrativo se encontram na zona ribeirinha, o que agrava ainda mais as dificuldades de acesso.
A liderança comunitária pede a intervenção do Governo, apelando para que não sejam feitas apenas raspagens na estrada, mas que se coloque saibro um tipo de material usado para compactação de forma a elevar a sua camada e garantir maior durabilidade e transitabilidade.
Contactado pela reportagem, o administrador do distrito do Lago, André Emanuel Luendo, reconheceu a gravidade da situação e explicou que a melhoria das estradas consta do plano do Governo. No entanto, alertou que, por enquanto, não há fundos disponíveis, pois o orçamento ainda não foi aprovado.

Por: HÉLIO FAUSTINO



























