
A Secretária Executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), Judite Musacula, defendeu a necessidade de reforçar a cooperação entre o Governo, parceiros de desenvolvimento, sector privado e comunidades para acelerar a redução da desnutrição crónica em crianças menores de cinco anos.
Falando durante a II Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio (CINA), realizada recentemente na província de Nampula, Judite Musacula afirmou que o evento constitui uma plataforma importante para consolidar o compromisso nacional com a meta da desnutrição zero. “A realização desta segunda edição do CINA demonstra que o compromisso com a redução da desnutrição continua firme. Precisamos transformar este compromisso em acções concretas que beneficiem as nossas crianças e famílias”.
A dirigente explicou que a segurança alimentar e nutricional passa por garantir que todos os moçambicanos tenham acesso a alimentos saudáveis, nutritivos e em quantidade suficiente para uma vida saudável.
Segundo dados apresentados pelo SETSAN, cerca de 37 por cento das crianças moçambicanas sofrem de desnutrição crónica, uma taxa considerada elevada e acima dos níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Judite Musacula referiu ainda que os resultados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2022-2023 mostram que as províncias do Norte e Centro do país continuam a registar os maiores índices de desnutrição crónica, com destaque para Nampula, Cabo Delgado, Zambézia, Niassa, Manica, Tete e Sofala. “Reduzir estes números não é apenas um objectivo técnico, mas também um dever moral. Uma criança bem nutrida hoje será um cidadão saudável, produtivo e capaz de contribuir para o desenvolvimento do país no futuro”.
No âmbito das iniciativas para melhorar a nutrição infantil, a Secretária Executiva revelou que, em 2025, o SETSAN, com apoio do Banco Mundial, disponibilizou uma viatura de cozinha móvel ao Conselho Executivo Provincial de Nampula.
Através deste equipamento, têm sido realizadas actividades de sensibilização comunitária, incluindo palestras, exibição de vídeos educativos e demonstrações culinárias voltadas para a promoção de boas práticas alimentares. “Estamos a ensinar as famílias a prepararem refeições saudáveis e nutritivas utilizando produtos disponíveis localmente. Estas demonstrações permitem que mães e cuidadores aprendam novas técnicas e as repliquem nas suas comunidades”.
Judite Musacula destacou ainda o empenho do Governo Provincial de Nampula na implementação de iniciativas destinadas a melhorar a segurança alimentar e nutricional da população.
A responsável do SETSAN defendeu igualmente que o agronegócio deve ser encarado não apenas como uma actividade económica geradora de rendimento, mas também como uma ferramenta estratégica para o combate à fome e à desnutrição. “O agronegócio moderno deve contribuir para a diversificação da produção, aumentar a disponibilidade de alimentos saudáveis, reduzir as perdas pós-colheita e garantir que os produtos cheguem às famílias em boas condições e a preços acessíveis”.
Segundo explicou, uma agricultura forte e orientada para a nutrição permite assegurar o fornecimento de matérias-primas essenciais para uma alimentação equilibrada, contribuindo directamente para a melhoria dos indicadores nutricionais.
A dirigente concluiu apelando à união de todos os sectores da sociedade na luta contra a desnutrição crónica, defendendo que apenas através de um esforço conjunto será possível garantir um futuro mais saudável para as crianças moçambicanas.
Por: Dilma Coelho






























