PESSOAS COM ALBINISMO DENUNCIAM ESTIGMA E DIFICULDADES DE ACESSO AO EMPREGO EM NAMPULA

Membros da comunidade de pessoas com albinismo na província de Nampula manifestaram preocupação com a persistência do estigma social, da discriminação e da falta de oportunidades de emprego, apesar dos avanços registados na proteção dos seus direitos.

As preocupações foram apresentadas durante as celebrações do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, assinalado anualmente a 13 de junho.

Na ocasião, Fátima Deles Raul, técnica dos Serviços Provinciais de Género, Criança e Acção Social, explicou que as actividades realizadas durante a semana tiveram como objetivo sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de respeitar e valorizar as pessoas com albinismo. “As pessoas com albinismo são cidadãos como qualquer outro. Merecem respeito, dignidade e igualdade de oportunidades. É importante combater o estigma e as atitudes discriminatórias que ainda persistem nas nossas comunidades”.

A responsável destacou ainda os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência em geral, sobretudo no acesso às infraestruturas públicas e ao sistema de ensino.

Segundo explicou, muitas escolas continuam sem condições adequadas para alunos com mobilidade reduzida, devido à falta de rampas e outras adaptações necessárias para garantir a inclusão.

Fátima Deles Raul acrescentou que os Serviços Provinciais de Género, Criança e Ação Social pretendem continuar a trabalhar com diferentes instituições para promover uma maior inclusão social e acessibilidade nos espaços públicos.

Por sua vez, Olívia Ernesto Oliveira, membro da Associação Amor à Vida, afirmou que a organização aproveita as celebrações do Dia do Albinismo para realizar palestras de sensibilização e identificar novas pessoas com albinismo que possam beneficiar do apoio da associação.

Segundo a representante, os casos de sequestro, tráfico e violência contra pessoas com albinismo registaram uma redução significativa nos últimos anos. “Hoje existe maior acompanhamento institucional e apoio jurídico às vítimas, o que tem contribuído para a diminuição destes casos”.

Apesar dos progressos registados na proteção dos direitos das pessoas com albinismo, Olívia Ernesto Oliveira considera que a exclusão no mercado de trabalho continua a ser um dos maiores desafios enfrentados por esta comunidade.

Segundo a ativista, existem pessoas com albinismo que possuem formação universitária e qualificações técnicas, mas continuam a encontrar dificuldades para conseguir emprego. “Temos jovens licenciados, com cursos técnicos e capacidades comprovadas, mas muitas vezes são excluídos devido ao preconceito relacionado com a sua aparência física. As pessoas com albinismo são capazes e merecem as mesmas oportunidades que qualquer cidadão”.

A representante apelou às instituições públicas e privadas para adotarem práticas de recrutamento mais inclusivas e combaterem todas as formas de discriminação.

Os participantes das celebrações defenderam a necessidade de continuar a promover campanhas de sensibilização para eliminar mitos, preconceitos e estereótipos associados ao albinismo.

Para os intervenientes, a inclusão social, o acesso à educação, ao emprego e aos serviços públicos são elementos fundamentais para garantir a plena participação das pessoas com albinismo na sociedade.


Por: Dilma Coelho