
A província de Nampula continua a enfrentar desafios significativos no desenvolvimento da primeira infância, particularmente entre crianças dos 0 aos 5 anos de idade, fase considerada crucial para o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional e social.
A preocupação foi manifestada durante uma capacitação promovida pelo Fundo de Desenvolvimento Comunitário (FDC), que reuniu representantes do Governo, organizações da sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para debater estratégias de fortalecimento dos cuidados e serviços destinados à primeira infância.
Na ocasião, a representante do FDC, Clara Ferrão, afirmou que os indicadores relacionados com saúde, nutrição, proteção e aprendizagem precoce continuam preocupantes em Moçambique, sendo a província de Nampula uma das mais afetadas.
Segundo a responsável, dados recentes apontam para uma taxa de gravidez precoce de cerca de 60%, níveis reduzidos de desenvolvimento infantil entre crianças dos 0 aos 59 meses e uma taxa de baixo peso ao nascer estimada em 17%.
Clara Ferrão destacou que os primeiros anos de vida são determinantes para o desenvolvimento integral da criança, defendendo uma ação coordenada entre o Governo, organizações da sociedade civil, parceiros e comunidades para melhorar os indicadores da primeira infância.
A responsável explicou ainda que o FDC realizou estudos que identificaram desafios relacionados com a monitoria e avaliação, capacidade institucional, mobilização de recursos e sustentabilidade financeira dos programas destinados à infância.
Por isso, a capacitação teve como principal objetivo fortalecer as capacidades técnicas e institucionais das organizações da sociedade civil para que possam conceber e implementar programas mais eficazes e sustentáveis.
Em representação da Diretora Provincial de Género, Criança e Ação Social, Luís Augusto destacou a importância dos primeiros cinco anos de vida para o desenvolvimento cerebral das crianças.
Segundo o responsável, cerca de 90% do desenvolvimento do cérebro ocorre durante este período, razão pela qual os cuidados devem começar ainda durante a gravidez. “O desenvolvimento da primeira infância começa antes mesmo do nascimento da criança. Os pais devem conversar, brincar e interagir com os seus filhos para garantir um crescimento saudável e equilibrado”.
Luís Augusto alertou ainda que muitos pais, devido às exigências do trabalho e da rotina diária, acabam por dedicar pouco tempo aos filhos, comprometendo aspetos importantes do seu desenvolvimento emocional e social.
O dirigente sublinhou que educar uma criança vai além de garantir alimentação e vestuário, sendo igualmente importante proporcionar afeto, atenção e acompanhamento permanente.
Durante a sua intervenção, o responsável alertou também para os impactos negativos da violência doméstica no desenvolvimento infantil.
Segundo explicou, crianças expostas à violência podem crescer considerando esses comportamentos como normais, o que aumenta o risco de reproduzirem atitudes semelhantes no futuro.
Dados apresentados pela Direção Provincial de Género, Criança e Ação Social indicam que, durante o primeiro trimestre de 2026, cerca de 29.730 crianças beneficiaram de serviços ligados à primeira infância na província de Nampula.
Deste universo, 24.649 crianças foram assistidas em escolinhas comunitárias e centros infantis, enquanto 5.810 frequentaram creches e outros espaços de aprendizagem precoce. O sistema conta igualmente com o apoio de 599 animadores comunitários.
Apesar dos avanços registados, as autoridades reconhecem que ainda persistem desafios importantes, sobretudo no acesso ao ensino pré-escolar nas zonas rurais da província.
Os participantes defenderam que o desenvolvimento da primeira infância é uma responsabilidade coletiva que deve envolver famílias, comunidades, instituições públicas, organizações da sociedade civil e órgãos de comunicação social.
Neste contexto, apelaram aos meios de comunicação para reforçarem a divulgação de conteúdos educativos sobre a importância dos cuidados e da educação na primeira infância, contribuindo para uma maior consciencialização das famílias e da sociedade em geral.
Por: Dilma Coelho





























