
A Direção Provincial de Saúde de Nampula alerta para o aumento de doenças negligenciadas, um grupo de enfermidades que recebe pouca atenção apesar de afetar milhares de pessoas na província.
Segundo Júnior Miguel, chefe do Departamento de Saúde Pública, existem cerca de 20 doenças negligenciadas, de origem parasitária ou bacteriana, que deveriam merecer mais destaque no sistema de saúde.
“Estamos habituados a falar de hipertensão, HIV/Sida e malária, mas existem doenças pouco conhecidas, que ainda provocam sofrimento significativo, principalmente na zona norte do país, devido às condições de saneamento e à água contaminada”, explicou Miguel.
Entre os exemplos citados estão filariose linfática (elefantíase), bilharziose, parasitoses intestinais, sarna e lepra. Em 2025, foram registados 2.500 casos de filariose, um aumento de 29% em relação a 2024, quando ocorreram 1.921 casos. A bilharziose, por outro lado, apresentou redução de 20%, com 38 mil casos em 2025, contra 58.904 em 2024.
Quanto às parasitoses intestinais, 49.390 casos foram registados em 2025, representando uma redução de 16% em relação aos 56.966 casos do ano anterior. Já a sarna apresentou aumento significativo, com 34.945 casos em 2025, contra 4.486 em 2024, afetando principalmente os distritos de Cidade de Nampula, Meconta e Meucate.
A lepra, doença que há anos era considerada praticamente eliminada, voltou a ser registada em Nampula, com 1.229 casos em 2025, um aumento de 2% em relação a 2024, mostrando que a doença continua a ser uma preocupação de saúde pública.
Para enfrentar essas doenças, o sector da saúde tem implementado várias estratégias, incluindo a distribuição de redes mosquiteiras, medicamentos antiparasitários e campanhas de cirurgias de tracoma. “As redes mosquiteiras não só protegem contra a malária, mas também contra a elefantíase, já que o mosquito transmissor é semelhante ao da malária”, destacou Júnior Miguel.
O responsável enfatizou ainda a importância da higiene ambiental e saneamento básico como medidas preventivas essenciais para reduzir a transmissão dessas doenças, muitas das quais afetam populações em situação de maior vulnerabilidade.
Por: Dilma Coelho



























