
Nesta quinta-feira (29), o Presidente da República, Daniel Chapo, oficializou o relançamento do megaprojecto de gás natural liquefeito (LNG) da TotalEnergies na península de Afungi, em Cabo Delgado, numa cerimónia cheia de promessas e fotografias de rigor com o CEO da petrolífera francesa.
A retoma da Totalenergy é, sem dúvida, um sinal de que Moçambique continua a apostar numa matriz extractiva para alimentar o crescimento económico. Mas a previsão de que os cofres públicos só começarão a sentir um alívio real depois de 2030 levanta questões duras sobre prioridades de desenvolvimento, transparência fiscal e justiça social num país onde as necessidades básicas de grande parte da população permanecem por resolver.
Organizações da sociedade civil e defensores do ambiente têm vindo a alertar que, na maioria dos casos, os megaprojectos de exploração de hidrocarbonetos produzem ganhos elevados para multinacionais e capitais estrangeiros, mas deixam benefícios limitados para as populações locais e pouco contribuem para reduzir a pobreza no país. Em Moçambique, a experiência com a exploração de recursos naturais tem revelado um padrão preocupante, marcado pelo aumento das desigualdades e pelo agravamento da dívida pública.
O regresso da TotalEnergies pode ser uma boa notícia para os mercados e para os investidores internacionais. Para os moçambicanos comuns, porém, o alívio continua adiado. Até 2030, o gás permanece sobretudo uma promessa enquanto as urgências sociais exigem respostas agora.
Por: Hosana Acácio Tiamora



























