
A província de Nampula continua a registar níveis elevados de casamentos prematuros, um fenómeno associado sobretudo à pobreza e à falta de acesso a serviços básicos. Dados de uma pesquisa realizada pela Save the Children indicam que apenas cerca de 30% dos casos são denunciados, revelando um cenário de subnotificação.
O estudo foi conduzido nos distritos de Lúrio e Angoche, envolvendo 517 participantes, entre pais, encarregados de educação, líderes comunitários e adolescentes. Segundo Paula Timane, os resultados mostram maior incidência de casos em Lúrio, devido à limitação de serviços, e em Angoche, onde as dificuldades de acesso à educação agravam a situação.
A pesquisa não se limitou aos casamentos prematuros, abrangendo também casos de violência baseada no género, abuso psicológico e violação dos direitos da criança, muitas vezes associados a gravidezes precoces.
Face a este cenário, a organização pretende implementar estratégias para mitigar o problema, apostando na mudança de comportamento nas comunidades, através de campanhas de sensibilização, fóruns comunitários e reforço de programas de proteção social.
As comunidades, por sua vez, queixam-se da distância dos serviços públicos e da falta de atendimento adequado, apelando à aproximação das instituições para eliminar barreiras no acesso à educação, saúde e apoio social.
Outro dado preocupante apontado no estudo é a baixa adesão dos rapazes aos serviços de saúde sexual e reprodutiva. Segundo Paula Timane, muitos jovens do sexo masculino só procuram estes serviços em caso de doença, deixando a responsabilidade da reprodução apenas para as raparigas.
A investigação revelou ainda que a maioria dos casos de casamentos prematuros é resolvida no seio familiar, sem denúncia às autoridades. Em muitos casos, os acordos são feitos entre famílias, o que dificulta a intervenção das instituições de proteção.
Entre os principais fatores apontados estão a pobreza, a vulnerabilidade social, a fraca assistência familiar, o acesso limitado à educação e a falta de serviços de saúde sexual e reprodutiva.
Especialistas defendem que o combate aos casamentos prematuros exige uma abordagem integrada, envolvendo educação, proteção social e maior sensibilização das comunidades.
Por: Dilma Coelho


























