
O secretário da ONP na cidade de Nampula, André Djane, denunciou hoje vários problemas que, segundo afirma, persistem há bastante tempo sem solução por parte do Ministério da Educação.
Entre as principais preocupações apresentadas estão os atrasos no pagamento das horas extras, a falta de assistência médica e medicamentosa, além das condições precárias de trabalho enfrentadas pelos professores em várias escolas da província.
André Djane destacou que existem reclamações de professores em localidades como Sawa Sawa e Anchilo. Referiu ainda os constantes atrasos no pagamento do subsídio de morte, situação que obriga frequentemente os colegas a realizarem contribuições para apoiar famílias enlutadas. Segundo explicou, muitas vezes os valores arrecadados não são suficientes sequer para a compra de um caixão, deixando as famílias em condições consideradas desumanas.
O secretário criticou também a ausência de assistência médica e medicamentosa para os docentes, apesar dos descontos mensais efetuados nos seus salários. Acrescentou que, quando necessitam de cuidados médicos no Hospital Central de Nampula, muitos professores afirmam ser atendidos de forma inadequada.
Outro ponto levantado foi a dívida relacionada às horas extras referentes ao ano de 2025. Segundo André Djane, o Ministério da Educação deve cerca de 600 milhões de meticais aos professores, valor cuja dívida já foi reconhecida, mas que até ao momento continua sem pagamento.
O dirigente sindical manifestou igualmente preocupação com o consumo de drogas nas escolas. O gestor da Escola Primária de Napepine revelou que tanto o ensino primário como o secundário naquela instituição se tornaram um epicentro do consumo de álcool entre estudantes. De acordo com o responsável, alguns alunos chegam a ameaçar professores com agressões físicas quando são repreendidos.
Na mesma escola, há ainda registo de casos frequentes de desmaios entre alunos, situação que preocupa os gestores devido à falta de preparação para prestar primeiros socorros.
André Djane denunciou também as condições precárias em que muitos professores trabalham, destacando salas de aula ao relento, falta de quadros, escassez de livros escolares, insuficiência de carteiras e superlotação das turmas.
Outro problema apontado é a desigualdade salarial entre professores que trabalham na cidade e aqueles colocados nos distritos, apesar de terem a mesma formação e exercerem as mesmas funções.
O secretário chamou ainda atenção para a situação da escola instalada na cadeia regional, onde, segundo afirmou, alunos partilham o mesmo espaço com reclusos. Para ele, a prática não é adequada, defendendo a separação dos ambientes de ensino.
Quanto à superlotação, André Djane recordou que o ideal seria um máximo de 50 alunos por turma. No entanto, segundo afirmou, há casos em que um único professor leciona para até 150 alunos, divididos em três turmas, comprometendo seriamente o aproveitamento pedagógico.
Perante este cenário, apelou à Direção Provincial de Educação para a contratação de mais professores e à regularização da situação de colegas que exercem cargos de chefia há mais de três meses sem o respetivo enquadramento salarial.
Apesar das dificuldades, o secretário afirmou que os professores continuam a trabalhar para não prejudicar os alunos.
“Se os professores fizerem greve ou deixarem de trabalhar, quem mais sofrerá serão as crianças. O Governo deve olhar para o professor, que é a base da educação de uma nação”.
Por: Dilma Coelho



























