NAMPULA REGISTA 149 CASOS DE RUPTURA UTERINA E REFORÇA ESTRATÉGIAS PARA REDUZIR MORTES MATERNAS

A província de Nampula registou, este ano, 149 casos de ruptura uterina, situação que preocupa o sector da saúde e que está associada, entre outros factores, à demora no acesso às unidades sanitárias e às complicações durante o parto.

O médico ginecologista-obstetra do Hospital Central de Nampula, Dinis Viegas, explicou que as rupturas uterinas podem resultar em complicações graves, incluindo asfixia do recém-nascido, fístula obstétrica e mortes maternas e neonatais. Dos 149 casos registados, segundo o médico, apenas quatro mulheres sobreviveram, enquanto os restantes casos resultaram em nados-mortos.

Perante a situação, os profissionais de saúde estão a reforçar estratégias para identificar antecipadamente as mulheres com maior risco de complicações durante a gravidez e encaminhá-las para unidades sanitárias com capacidade cirúrgica.

Dinis Viegas defende um acompanhamento pré-natal mais eficaz, capaz de identificar casos de parto obstruído ou outras situações de risco. As mulheres que apresentem factores de risco devem ser referenciadas antes do início do trabalho de parto para hospitais como o Hospital Central de Nampula, Hospital Geral de Marrere ou Hospital Geral de Ribáuè.

O médico destacou igualmente a necessidade de capacitar os profissionais que trabalham nos distritos periféricos para reconhecer e tratar complicações obstétricas, bem como reforçar a capacidade cirúrgica das unidades sanitárias. Segundo explicou, o Hospital Geral de Marrere já dispõe de 200 camas e está a aumentar a sua capacidade para atender casos obstétricos de emergência. O distrito de Mogovolas também já realiza cirurgias obstétricas.

Dinis Viegas defendeu ainda o reforço do trabalho comunitário, através dos agentes polivalentes elementares e outros agentes comunitários de saúde, para sensibilizar as mulheres a procurarem as unidades sanitárias e evitarem partos domiciliários.

O médico relatou o caso de uma mulher no distrito de Ribáuè que tentou dar à luz em casa e desenvolveu uma hemorragia grave. Quando chegou ao Hospital Central de Nampula, por volta das 11 horas, já não foi possível salvar o bebé.

Para prevenir complicações, o especialista explicou que durante o pré-natal devem ser identificadas características que possam indicar maior risco de parto complicado, permitindo uma decisão atempada sobre a via de parto e a unidade sanitária adequada.

O sector da saúde prevê igualmente a instalação de um bloco operatório no Centro de Saúde de Muhala Expansão, devido ao elevado número de utentes atendidos naquela unidade. O Centro de Saúde de Namiepe, com capacidade para cerca de 100 camas, também deverá ser integrado nos esforços de expansão da capacidade de resposta.

Dinis Viegas chamou ainda atenção para o aumento de partos múltiplos na cidade de Nampula. Segundo o médico, numa única semana foram registados três casos de mulheres que deram à luz trigémeos, realidade que exige maior preparação dos profissionais e das unidades sanitárias.

O especialista defende que médicos de clínica geral que trabalham em unidades periféricas sejam capacitados para realizar procedimentos obstétricos de emergência, incluindo cesarianas, de modo a garantir uma resposta rápida e reduzir as complicações e mortes maternas e infantis na província.


Por: Dilma Coelho