NAMPULA PRETENDE TRANSFORMAR LOCAIS HISTÓRICOS EM ESPAÇOS DE MEMÓRIA E TURISMO

A província de Nampula assinalou o Dia Internacional de Recordação do Tráfico de Escravos e da sua Abolição, celebrado a 23 de agosto, com uma reflexão sobre o papel da memória histórica na promoção da dignidade humana e no combate às formas modernas de escravatura.

Falando em representação da direção do sector da Cultura e Turismo, Edson Console destacou que a data tem um significado particular para Nampula, por ter sido uma das regiões do norte de Moçambique ligadas ao tráfico de escravos para outros países.

Segundo o responsável, a celebração deste ano decorre sob o lema “Justiça e Acção: confrontar a história, promover a dignidade e capacitar o futuro”, que, na sua opinião, apela à adoção de ações concretas para combater injustiças e construir uma sociedade mais inclusiva.

Edson Console afirmou que, apesar da abolição da escravatura representar um marco importante para a humanidade, a luta pela dignidade e liberdade ainda não terminou. Apontou como exemplos de formas modernas de exploração o trabalho forçado e outras situações de violação dos direitos humanos. Defendeu ainda, que a educação das novas gerações sobre a história da escravatura e a importância da liberdade, apelando ao combate à discriminação e a todas as formas de violência.

Por sua vez, Jafar Silvestre Jafar, docente e pesquisador da Universidade Rovuma, considerou que a data é particularmente importante para Nampula, por existirem na província e na região vários locais diretamente relacionados com o tráfico de escravos.

O investigador defendeu a preservação e requalificação desses espaços para fins educativos, científicos e turísticos. Entre os locais mencionados estão o Buraco dos Escravos, em Tocuco, a Rampa dos Escravos, no distrito de Mossuril, e o Jardim da Memória, na Ilha de Moçambique.

Jafar Silvestre alertou para a necessidade de evitar que estes locais históricos continuem a degradar-se ou sejam abandonados, defendendo maior intervenção das instituições competentes para transformar estes espaços em centros de estudo e atração turística.

Sobre a chamada escravatura moderna, o pesquisador defendeu o fortalecimento das instituições, a sensibilização da população e a aplicação de penas contra os responsáveis por práticas de exploração e violação dos direitos humanos.

Para os intervenientes, a preservação da memória do tráfico de escravos deve servir não apenas para recordar o passado, mas também para fortalecer o compromisso com uma sociedade onde todas as pessoas possam viver com liberdade, dignidade e respeito pelos seus direitos.


Por: Dilma Coelho