MOÇAMBIQUE CELEBRA O DIA DOS HERÓIS COM APELOS À UNIDADE, RECONHECIMENTO HISTÓRICO E INCLUSÃO

Moçambique assinalou, a 3 de Fevereiro, o Dia dos Heróis Moçambicanos, data que coincide com o 54.º aniversário do nascimento do primeiro Presidente da República, Samora Moisés Machel, e com a homenagem ao fundador da FRELIMO, Eduardo Chivambo Mondlane, e a todos os combatentes da luta de libertação nacional.

A representante da Associação dos Combatentes, Josefina Soda, destacou que a data homenageia todos aqueles que lutaram contra o colonialismo português, sublinhando que a independência do país foi fruto de uma luta intensa e organizada. Segundo explicou, no primeiro congresso da FRELIMO, Eduardo Mondlane foi eleito presidente devido às suas competências literárias e de liderança, o que permitiu a união dos três movimentos nacionalistas rumo à independência.

Josefina Soda recordou ainda que a luta de libertação combateu divisões impostas pelo colonialismo, como o tribalismo, o racismo e a discriminação regional. Destacou igualmente a criação do Destacamento Feminino, que marcou a participação direta da mulher na luta armada, bem como as decisões tomadas no II Congresso da FRELIMO, cujos ideais continuam a orientar o partido até aos dias de hoje.

Sobre a morte de Eduardo Mondlane, a representante afirmou que o líder nacionalista foi alvo da polícia política portuguesa (PIDE), por traçar estratégias para a independência do país, tendo sido assassinado a 3 de Fevereiro de 1969, através de uma carta armadilhada, num golpe que visava enfraquecer a FRELIMO.

Com a proclamação da independência nacional, a 25 de Junho de 1975, o país passou a enfrentar novos desafios, sobretudo a luta pela independência económica, na qual, segundo a oradora, a juventude assume um papel fundamental como motor do desenvolvimento.

Por sua vez, o Secretário de Estado da Província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, enalteceu o papel das Forças de Defesa e Segurança, considerando-as guardiãs da unidade e indivisibilidade do país. O governante destacou o contributo dos militares no combate ao terrorismo, na salvaguarda de vidas humanas e na reabilitação de jovens, reconhecendo ainda o trabalho desenvolvido pela Academia Militar Samora Machel na formação de quadros para a defesa nacional.

Entretanto, o deputado do partido Podemos, Martins Noronha, defendeu que o Dia dos Heróis deveria ser um momento de homenagem inclusiva, abrangendo figuras de todas as formações políticas. Segundo o deputado, o atual modelo de celebração privilegia heróis ligados ao partido no poder, deixando de fora outras personalidades que também contribuíram para a história do país.

Martins Noronha citou nomes como Afonso Dhlakama e Azagaia, defendendo que o reconhecimento dos heróis nacionais deve ser feito independentemente da cor partidária. Para o deputado, o esquecimento dessas figuras demonstra que o país ainda enfrenta desafios na reconciliação histórica e na valorização plena dos ideais que nortearam a luta pelo bem comum.


Por: Dilma Coelho