MEPT ALERTA PARA 5 MILHÕES DE CRIANÇAS FORA DA ESCOLA EM MOÇAMBIQUE

A Directora Executiva do Movimento de Educação Para Todos (MEPT), Isabel Mocimba, alerta que cerca de 5 milhões de crianças estão fora do sistema de ensino em Moçambique, sendo que muitas estão envolvidas no trabalho infantil, uniões prematuras e comércio informal.

Segundo Mocimba, a situação está relacionada, em parte, à percepção de algumas famílias de que a educação não garante oportunidades de emprego após vários anos de escolaridade. Por essa razão, alguns pais optam por colocar as crianças em actividades que possam gerar rendimento imediato.

A responsável afirmou ainda que o financiamento nacional destinado à educação continua abaixo das necessidades do sector. Segundo explicou, Moçambique contribui com menos de 10% para o financiamento da educação, enquanto a referência internacional é de 20%, sendo os parceiros de cooperação os que mais apoiam o sector.

As declarações foram feitas durante a Primeira Conferência Provincial sobre o Desenvolvimento da Primeira Infância (DPI) e Ensino Primário, realizada com o objectivo de discutir estratégias e encontrar soluções para os desafios que afectam a educação e o desenvolvimento das crianças.

Na província de Nampula, a situação é agravada pela desnutrição crónica, estimada em 47%, que afecta particularmente as crianças nos primeiros anos de vida. Isabel Mocimba destacou a importância da alimentação e dos cuidados adequados durante a primeira infância para garantir o desenvolvimento cognitivo e integral da criança.

Por sua vez, Salame Murrupula, gestor de programas da organização Terra dos Homens, disse que a instituição está a implementar o projecto Bem-Estar nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa. A iniciativa inclui a criação de grupos comunitários nos distritos para promover a descentralização das acções.

Segundo Murrupula, a organização trabalha igualmente na educação da primeira infância, uma área que ainda enfrenta grandes desafios. Actualmente, a cobertura da educação pré-escolar situa-se entre 3% e 4%, e a meta é elevar este indicador para 10%.

Por: Dilma Coelho
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